VENTOS, RIOS E VAZIOS.
- Lucas Antero

- 11 de mai. de 2020
- 2 min de leitura
X sempre será igual á X.
Uma história qualquer nasceu de meu corpo, deixou de estar em mim, permaneceu na atmosfera até que me sufocasse, então desapareceu como a esperança que nunca deveríamos ter acreditado; e eu continuei aqui, sem rumo, errante a procura do que não sei o que é, e para aqueles que não perceberam, sempre serei este corpo, esta absência, esta essência, este (as vezes) evento cataclísmico que nunca se cansa da dor.
Me lembro de você ter me perguntado o que eu era, eu não soube o que te responder, lembro-me apenas de deixar transparecer este meu sorriso torto-envergonhado e concordar com tudo o que me disse, inclusive que eu era bastante estranha, mas legal e que tinha o poder de fazer todo mundo se sentir bem. Este poder acabou!
Porém permaneço aqui, inerte em relação a ventania que me atinge, com meus pés descalços, fixos a Gaia, ainda ouvindo um chamado tão distante, porém alto demais para ser deixado de lado, me propondo o retorno de onde nunca deveria ter partido.
Meu corpo está dormente,não sei se é a dormência que conhecia, digo sobre outro tipo de dormência: a ABULIA. Você nunca me vira em meus dias de abulia, nunca presenciara meu estado contemplativo da atmosfera, nunca percebeu quando meu corpo lânguido precisava de uma braço, escondi isso muito bem. Mas agora faz frio e meu corpo vazio não quer deixar de existir, porém quer permanecer quieto, inerte,imerso neste sentimento de dormência, transformando-o em um escudo do sentir.

Existe um rio, de águas calmas,porém escura, densa. Você disse que eu poderia mergulhar meu corpo, que meus cortes deixariam de arder, que depois meu corpo flutuaria, que afastaria todo tipo de lâmina de meu corpo. Você disse isso e depois beijou meu pulso esquerdo, nunca vou me esquecer disso, senti vontade de chorar naquele momento, depois você me abraçou tão forte que meus ossos rangeram. Me senti salva naqueles minutos.
Na noite passada sonhei que estava aqui, a me observar da janela de meu quarto, contemplando minha inexistência, aprendendo como meu corpo se movia no frio, respirando a mesma abulia que meus pulmões, tentando congelar a noite para que o dia seguinte demorasse. Depois você partiu, deixando a noite ainda mais vazia e fria,então acordei, desejando ter despertado naquela floresta.
Existe o mar, eu adoro o mar.
Existe o mar, existe meu corpo, existe a abulia, existe a absência de seu corpo, existe...
Existe um rio, sem retorno, uma vez existiu meu corpo
Que agora lentamente caminha em uma fuga dissociativa a encontro deste rio.
Uma vez existiu meu corpo, uma vez existiu o EU, que lentamente vai se tornando uma memória, do que um dia fui.
Existe esse rio, sem retorno. Me encontrará no final deste rio,
Contemplando o nada, a espera do epílogo de minha alma.







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