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V - Os Anos Felizes. (A última carta)

  • Foto do escritor: Lucas Antero
    Lucas Antero
  • 24 de set. de 2023
  • 2 min de leitura

Eu realmente não pedi para nascer( e me odeio por isso), mas também não quero morrer, mas graças a uma lei estúpida é um caminho sem volta. Acho que algumas pessoas, assim como eu, estão destinadas a mediocridade e ao sofrimento. Eu já aceitei isso!


Mesmo assim existe uma necessidade imensa em pertencer, em querer agradar; a imensa necessidade de existir sempre sendo útil e importante, caso contrário não vão me amar e acabarei ainda mais sozinho. As redes sociais possibilitarem a princípio não se sentir tão sozinho assim, mas ao longo do tempo faces humanas foram se mostrando e cada vez mais nos dividindo.


Agora sob esse calor de Setembro me pergunto: Como desaparecer completamente? Como realmente ser quem eu gostaria de ser? Como deixar de existir e ressurgir em um novo estado qualitativo?


Minhas costas doem, minhas calças estúpidas esticam seus números provando que não caibo mais nelas. Eu poderia ter feito um pacto entre eu, minha existência, minha mente e meu corpo, ao invés eu quero caminhar até meus pés doerem, perder eletrólitos, fazer com que estas antigas roupas fiquem largas, provar que todas estavam erradas; provar que quanto mais a vida me bate vou afinando e cabendo nessas roupas, afinando e descobrindo para o que eu fui feito. Algum dia, talvez algum dia eu realmente descubra pra que eu fui feito e comece a viver, algum dia...


Sobre o amor não sei como me sentir, querer tentar assusta tanto

Como realmente saber se o sofrimento acabou? Quando o solo cair sobre mim, enchendo meus pulmões. "O amor(Eros) é natural e real, mas não para indivíduos como eu!"



"Como desaparecer completamente, digitalmente e ressurgir sem todas essas cargas idiotas?" eu perguntei aquele pequeno peixe que vive em minha cabeça. Ele nunca soube e nunca saberá. Mas ele sou que no momento em que o perguntei isso, até antes do amanhecer eu estaria sangrando, limpo a caminho de lugar nenhum. Sangrando porque tentei explorar a mim mesmo com uma faca para descobrir porque minhas entranhas são assim, buscando a essência, então deixando a solidão suturar meus cortes. Então leve e frágil como eu sempre quis ser, irei flutuar até o mar na madrugada e a brisa depositando meu corpo para que as ondas em seu balanço me façam dormir e chocar meu crânio contra os corais, para me conduzirem lânguido ao cerne da origem. Me façam entender a origem da origem de mim.

 
 
 

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