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Todos nós no fim de todas as coisas.

  • Foto do escritor: Lucas Antero
    Lucas Antero
  • 14 de set. de 2020
  • 2 min de leitura

Andrew morava em um apartamento pequeno. Naquela noite o vento soprava forte de sua janela enquanto ele observava o abismo das vidas lá de baixo. O telefone tocara cinco vezes, não atendera,silêncio; o telefone voltara a tocar,Andrew apenas se levantou para tirar o fone do gancho pra que não tocasse mais e retornara ao seu estado catatônico. Observou depois o céu por longos vinte minutos até que começara a chover.


Naquele momento ele começara a ter certeza de tudo que acontecera em sua vida, percebendo que havia se voltado para o abismo tantas vezes, o havia encarado, e o abismo olhou de volta, que tanto tempo depois começaram a se completar. Lembrou-se da vez em que caminhava pelas ruas sujas do centro e vira um maltrapilho com uma bíblia na mão professando palavras do mandamento,anunciando a todos os pulmões que era o fim dos tempos, que ninguém mais queria acreditar em Deus, que apenas utilizavam o nome dele quando bem o convinham, naquele dia Andrew ao se lembrar das palavras de Nietzsche no livro Assim Falava Zaratustra, tirou uma nota de cinquenta e deixou as pessoas do mundo e continuou caminhando sem se importar com o homem gritando "Deus te abençoe".


Fora naquele mesmo dia que comprara a arma que agora estava em seu colo. Girou o tambor completamente carregado, flertando com a ideia, talvez até aguardando para que algo pudesse romper aquele estado e o fizesse desistir, porém ele olhou para o céu escuro e nada! Lembrou-se do passado quando era jovem, indestrutivelmente jovem, quando seus sonhos eram o que mantinham vivo, mas agora estes sonhos se transformaram em apenas esperança, e essa esperança em suplício.


Sentando naquela cadeira cara, enquanto a chuva caia e molhava seus pés descalços, colocou a arma entre os dentes, sentiu o gosto metálico; percebeu no último instante o quão era fácil dizer adeus quando não se tem ninguém, o quão é fácil aceitar no último instante de vida quando se percebe o que somos, que o que fomos fora apenas um sonho, e naquele ultimo minuto ele aceitou e percebeu. Por fim, destravou a arma e puxou o gatilho, e por nanosegundos sentiu sua memória queimar,desaparecer, como uma supernova,porém silenciosa e quase indolor.



 
 
 

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