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Sussurros

  • Foto do escritor: Lucas Antero
    Lucas Antero
  • 13 de abr. de 2023
  • 1 min de leitura


O dia avançava sem imperfeições

Mas sou imperfeito e meu corpo dói!

Poderias dizer novamente

Que minh'alma é de tola garota?

Nunca serei a suficiência.

Como eu poderia não decepcionar

aqueles que sonham e esperam em mim,

se minha essência se baseia na incerteza?

Resta me afogar!

Deixar a correnteza me levar.

E todo esse tempo foi tudo perfídio?

Ainda me sobra a indulgência?



Então eu corri, e corri

arranhando minha pele já marcada, naqueles galhos

e mesmo assim não fui capaz de escapar.

Mas por que a dor é tão doce vinda de suas mãos?

Deixo que assuma o controle

para que me entregue a dormência.

Mas por que a dor é doce vinda de suas mãos?

Entretanto não estás mais aqui,

e quem mais me amaria se não tu?

Nemo, nemo, nemo.

Então me escondo enquanto chove sob o o conforto de falsos sonhos.


... E novamente, corri, e corri,

atravessando a floresta de pontas afiadas da solidão

enquanto a lua

do céu da noite de outono

banhava minha vastidão de nadas.

E enquanto sangrava

a dormência meu corpo aguardava.

Porquê a dor é doce vinda de suas mãos?

Mas você não está aqui.

Desprovido de amor

desprovido de dor

Desprovido de sangrar

Cansado de pronunciar

Palavras que quase ninguém compreende

Sem ninguém para me salvar de meu próprio eu.

Então corri,

até chegar aquela mesma ponte,

em que disse que poderíamos nos perder até o amanhecer.

O rio viajava depressa lá embaixo.

Mas não pulei,

Porque fizestes-me apaixonar

E novamente encontrar

Ópio naquela lâmina afiada

Agora resta-me sangrar

Até que me esqueça de amar.


 
 
 

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