Sozinho e babaca.
- Lucas Antero

- 9 de set. de 2020
- 1 min de leitura
Eu tinha nove anos de idade, brincava no quintal de casa, fazendo dos gravetos as pernas e braços dos limões caídos do pé, e já criava uma história, o sonho de ser uma pessoa. Agora que cresci não tenho mais este sonho. Este futuro morno como o vômito que sinto vontade de expelir agora pela minha boca, odeio essa autopromoção travestida de caridade. Agora tenho vinte e poucos,acabei de misturar os medicamentos com o vinho do lado da minha mesa. Leio livros para parecer culto, a verdade é que fugiram de mim os deuses e mestres, minha luta prece ser só minha agora. Pareço ter tudo que alguém sonharia, mas se tenho um lar, por que ainda adormeço sozinho a noite? Ainda vou vagando pelas ruas acreditando no sonho brasileiro de vencer mais uma batalha do dia, mas a verdade é que apenas aparento vencer uma batalha, porém na verdade, não existe o sonho da vitória, e sim a necessidade da sobrevivência,apenas isso, por isso quando me observo no espelho após demonstrar minha utilidade repito as palavras que deveriam estar escritas em minha pele, como uma marca de minha existência até o fim de meus dias: "Sozinho e babaca" Mas não se preocupe, tenho um repertório infindável de autoindulgência que acalma minha mente e meu corpo, toscos demais... Enfim, a lenta dança no escuro com feixes de luz que irão acabar,algum dia com o solo caindo sobre meu corpo

Capa do álbum: "The Queen is dead" by The Smiths






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