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Solidão, enquanto sangro perfeição.

  • Foto do escritor: Lucas Antero
    Lucas Antero
  • 15 de out. de 2023
  • 2 min de leitura

Eu tinha um milhão de maneiras de contar sobre isso, porém sabia que todas elas assim que saíssem de minha garganta se tornariam fúteis e refutáveis pelo simples argumento: "Você tem tudo sempre que quis, todos fazem as coisas para você, você não tem um passarinho para dar água então não tem o porque de você se sentir assim!"


As paredes do consultório pingavam um líquido viscoso-escuro do qual adentrava em minha traqueia já furada, dificuldade de respirar. As entranhas de minha existência queriam explodir e eu queria abrir-me com uma faca em um corte perfeito de meu peito até minha barriga, depois fazer uma serie de incisões em minha coxa, ver o líquido vermelho derramando e expulsando toda gordura.


Imperfeições, feiuras e gorduras, porque não calam a boca e morrem de mim?


Sei que parece egoísta, mas Deus as vezes tem dias que odeio o jeito que sou e que me fez. É assustador saber que há uma força maior te guiando para o caminho certo, mas mesmo assim não ter força em si mesmo para dar o primeiro passo.


A viscosidade do líquen nas paredes descascadas do banheiro de casa o transformou em um portal. Essa seria finalmente a chance de sangrar e desaparecer e não ser mais um peso para todos que me relaciono?


Cansado/ Cansada: Pode me chamar de tola garota se quiseres, minha feiura e imperfeição ultrapassa gêneros. Cansado de pronunciar palavras que ninguém entende. Eu poderia virar vegetariana , parar de comer, talvez se eu fosse magro tudo seria perfeito. Mas aqui em meu corpo só me sinto salvo quando estou pedalando, ou embriagado(dormente) ou sangrando por cortes auto infligidos.



Eu sonhei que sangrava bastante. Que meus cortes profundos ardiam e eu fazia cada vez mais até que toda imperfeição se esvaía. Sonhei que deixava uma montanha de dinheiro para minha família, assim eu não era um peso para eles e eu podia sangrar. Sonhei que me amaram, me abraçaram até meus ossos doerem, que me tornei frágil, fria, perfeito, porém útil, então não me acharam ridículo por chorar e sangrar porque eu era bonito, perfeito, magro e tinha dinheiro.


Era tudo mentira! Então nessa noite irei sangrar quieto com minha pele dormente pelo vinho, irei esconder tudo com ataduras e roupas largas. Direi que tudo está bem, porque é isso que os feios como eu fazem quando se machucam. Antes do amanhecer irei deixar minha pele arder até que ela se torne fria e todas as cicatrizes dos cortes se tornem o primeiro sinal de perfeição.


 
 
 

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