Sobre Tempestades e Densas Nuvens.
- Lucas Antero

- 14 de jan. de 2020
- 2 min de leitura
Tenho este constante sentimento de sempre questionar a realidade em que me encontro. Tenho esse outro raro sentimento que faz parte de minha essência chamado “Mono No Aware” que significa, de um modo muito resumido, empatia para as coisas efêmeras, o que me faz em certas ocasiões vivenciar (Sentir, perceber o cheiro, o tato) das memórias de outrora. Então o que eu poderia dizer sobre quando me abraçou ela primeira vez?
Talvez não saiba o quanto te amei durante todos estes oito anos, o quanto senti por te amar, o quanto deixei de sentir apenas por guardar demasiado amor, quantas flores deixei de plantar e abraçar por apenas ter de desfazer-me daquilo que deixara o aroma em mim de outrora, como o indicio de alguém que havia aqui e que eu desejava tanto que ficasse. E quando caminho pisando em pedaços de mim me pergunto: O que houve, onde foi que aquele garoto que buscava as estrelas fechou a janela do quarto e deixou de acreditar nos ventos frescos? Quando foi que me deixei ser um palíndromo cheio de metades iguais? Como pude esquecer como é caminhar pela praça da Liberdade no centro da cidade e observar as árvores? Quando foi que a chuva de verão deixou de significar algo pra mim? Quando foi que sonhar se tornou caro demais?

Ainda preciso sentir a quietude que existe nas coisas, ainda preciso permanecer quieto por um longo período, deixar que tudo se esvaeça, deixar que o vento passe pelo meu corpo, encontre resistência, e mude minha trajetória, preciso sentir a frente frio, me encontrar, ouvir trovões, observar o céu em campo aberto e sentir novamente o quão mundo é grande, voltar a perceber a efemeridade das coisas, da existência, da humanidade, de nós, de tudo; e por breves momentos acreditar em toda metafísica e continuar sentindo para enfim adormecer sem ter a pressa do amanhã.
E onde você se encontra em tudo isso? Onde se encontra a razão para viver?
Em lugar algum. Porque aquele garoto de antes não se encontra mais aqui. Quem sabe um mês depois eu salve minha vida depois de dizer adeus ao falso preenchimento do vazio que existe.
Talvez eu perca o ideal de amor que tenho e me encontre apaixonado pelo sentimento que alguma pessoa estranha me proporcione. Quem sabe quando parar de chover, porém o tempo permanecer nublado, eu caminhe pelas ruas cinzas, frescas, e encontre minha nova poesia, minha nova literatura que faça-me sentir em casa.
Quem sabe em meio ao ensurdecedor barulho dessas tempestades eu grito e me esvaeça e retorne leve ao meu corpo para depois voar entre essas densas nuvens, percebendo então o quão humano sou e antes de a atmosfera de mim se esqueça, nos campos da quietude eu desapareça.






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