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Silêncio I

  • Foto do escritor: Lucas Antero
    Lucas Antero
  • 9 de mar. de 2023
  • 1 min de leitura

Dá origem,

o mesmo vício que embriaga o corpo,

faz rasgar a derme com aquela lâmina afiada.

A mesma necessidade incessante

de ser amado,

faz-me arremessar-me da sacada;

meus ombros chocando-se contra o asfalto,

estala, range e estilhaça.

Minha existência vazia elucida:

"Há um barulho em minha serragem!"

O resto é silêncio.



Meu corpo se despede dos vícios,

Deus no esconderijo de meus tolos e ridículos versos;

observa, anula e reata o tempo,

encurtando meu determinismo.

Explorando a mim mesmo com uma faca, cavando na casa da memória,

não encontro alicerce,

Então sangro vinho (meu vicio) e saudade.

Escavando mais fundo em meu pulso

encontro a primeira explosão

a que deu origem a tudo;

encontro o humano, que apesar de tudo se esconde da conectividade do cotidiano.

Enquanto sangro por mim mesmo

Deus desata os nos e realinha o mesmo destino já escrito.

Enquanto sangro e dilacero meus músculos,

tentando me livrar de meus vícios,

chove lá fora, quente, vazio

porque busco a ausência de Deus,

O resto é ruído branco e silêncio.

Então mergulho em mim,

tentando nadar de volta pra casa,

porque não consigo correr mais, porque caio e meus joelhos estão arranhados.

Mas meus ombros doem, estilhaçados não se movem

O resto é silêncio e ruído branco.


 
 
 

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