Querido Chester Bennington...
- Lucas Antero

- 2 de ago. de 2023
- 2 min de leitura
BH, 02 de Agosto de 2023.
Querido Chester Bennington,
Já fazem seis anos desde que você morreu. Você tirou sua própria vida. É reconfortante pensar que você foi para um lugar melhor! Crueldade seria não existir outro lugar para se estar depois da morte. Estou escutando sua musica agora "Crawling" aquela versão ao vivo de 2017, e percebo o peso que você carregava em seu peito e como sua voz clamava por socorro. A vida pede tanto, requer tanta coragem para se continuar existindo que seria ridículo não haver outro lugar. Mas eu sei também que morrer requer um certo tipo de coragem, muita coragem!
Eu queria tanto ter ido em um show seu. Isso me faz lembrar de tantas outras oportunidades que perdi de realizar coisas porque tinha medo, a coragem me escapulia da alma com o medo de ferir alguém e acabar essa pessoa não me amando mais e eu acabar sozinho, sem amigos, amor, sem tudo, isso por medo de ser que eu realmente sou e não gostarem mais de mim. Faz tanto tempo que venho me escondendo entre as formas lícitas de tornar meu corpo e minha mente dormentes, me contraindo e contorcionando naquele que as outras pessoas precisam que eu seja que não sei mais quem sou.
Amar requer tanta coragem! Por que para alguns parece tão fácil? Por que eles não tem medo de se ferirem, de ferirem alguém?

Você sabe muito bem que minha pele arde, coça, queima na ânsia daquele objeto que rasga até purgar minhas imperfeições, meu erros, meus vícios e falsas justificativas em uma tola autoindulgência que me deixa dormente e faz-me esquecer de tudo, assim como o álcool, apenas porque cometi um pequeno deslize, e assim percebo que não sou importante á ninguém e que não restou nada para me salvar de mim mesmo.
Você não faz ideia do quanto me ocorreu na vida e mesmo assim ela ainda sim parece tão vazia em certos momentos. Ninguém sabe o quanto sangrei, o quanto perder o que perdi, por isso não sonho muito com amor e sim com ideias que provam minha utilidade para que continuem gostando de mim.
Sei que parece tolice, mas escrever uma carta para quem já morreu é mais fácil de contar tudo do que para qualquer outra pessoa que terá o pré-julgamento e a própria bagagem emocional, sinto muito mas é a mais pura verdade.
Agora é noite, venta, faz frio e eu tento justificar a alternativa que me escolhera o destino e espera que seja hora de arder, sangrar e por fim adormecer, fingindo ter esquecido o quanto essa noite abriu meus olhos para a realidade, assim como minha rasgar minha derme na esperança de que tudo transborde, vaze através da pele e desapareça um dia.
Beijos,
LT.






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