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Letargia

  • Foto do escritor: Lucas Antero
    Lucas Antero
  • 21 de out. de 2021
  • 2 min de leitura

Saberei que realmente acabou quando sentir o solo caindo sobre minha cabeça.


A chuva cai vazia, não há mais nada em suas gotículas frias para me contar.

Teria se esvaído de mim aquela esperança que antes

eu categorizava como tola?

Teria a inércia de meu corpo e mente frente a vida,

feito Gaia se esquecer de mim?

Teria o vento se esquecido de soprar minhas pálpebras

porque eu queria desistir de tudo?

Então é isso,

fui esvaecido involuntariamente da simples existência

porque aceitei a indisponibilidade do tempo

e agora meus sonhos tornaram-se vazios e assustadores,

assim como o cotidiano que nos corrói.


Todos os lobos que eu tentava fugir

agora estou correndo com eles para sobreviver.

Seria hipocrisia dizer

que sinto falta do inverno e de todas as coisas frias?

Ainda espero no passeio com meu sorriso falso extrovertido,

tolice minha acreditar

que vivia apenas pelo que sou agora.

Sentado na calçada, pés descalços no asfalto

agora entendo o porque você ter dito que minha inocência era brilhante.

E agora sendo o que não sou (talvez)

o que nunca seria também, comprando indulgências,

pronto para ser o nada, nada... letargia.


O silêncio está habitado pelos meus "Eus" incompletos

que tentam se afogar no vazio que existe

pra morrerem pela beatitude e perfeição.

E agora me pergunto:

Onde está a violência que tento aplicar em meu corpo?

Eu devo estar sonhando (Apenas pelo fato de você me chamar de tola garota)

Não sinto quase nada,

apenas a letargia deixando meus pulsos dormentes.

Minha pele quente, ardendo;

como uma mariposa, adormecendo,

nos braços daquilo que me queima,

e descobrindo uma nova forma quieta de sangrar.

Aqui onde você pressiona forte,

meus pulsos dormentes,

e meus cortes voltam a sangrar, me sinto salvo!

Não me dê asas,

dizendo a todos que sou como um anjo,

porque cedo ou tarde, como um hipocondríaco

Voarei em direção ao sol assim como Ícaro fez,

e deixarei que meu corpo abrace

a fantástica queda para inexistência.


 
 
 

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