Escutando a chuva
- Lucas Antero

- 24 de out. de 2022
- 2 min de leitura
Atualizado: 14 de nov. de 2022
É final de tarde, o tempo está começando a ficar nublado, os últimos raios de sol colorindo o céu de nuvens acinzentadas. estou nadando no rio perto de casa. à agua me diz que nada é eterno, eu sei muito bem disso, mas você partiu tão breve e essa melancolia que me apetece agora, retorna de tempos em tempos, principalmente quando chove.

Eu nunca lhe disse, mas a chuva me conta segredos, meus próprios segredos, mas também me conta coisas que eu não deveria saber, foi assim que entendi que você logo partiria, por isso agi daquela forma; não queria aceitar, não poderia. Até porque quem mais poderia me amar em meus dias quietos e vazios? Quem limparia meus cortes ( que ardiam frescamente em sua presença)? Quem os enfaixaria e os beijariam e me faria sentir tão especial, como se eu fosse imortal?
Foi você que me disse que eu era perfeita em minha dor!
Como sou egoísta não querendo deixar que você partisse para seu descanso.
Me lembro de quando me viu sangrar pela segunda vez. Você me abraçou tão forte que meus osso rangeram, também chovia neste dia e você me disse: "Vamos para algum lugar, qualquer lugar!" Com você eu iria até o fim do mundo, mas agora estou no meio do caminho para lugar nenhum.
Me dê uma razão para acreditar que você realmente partiu! ainda sinto seu cheiro em mim.
É Outubro e não consigo correr mais, a chuva me conta tantos segredos - Estou sem vida, imperfeito, imperfeita, meus cortes ardem, coçam, o vinho anestesia minha derme, e ébria, rodopio, tentando permanecer com a pele fria e perfeita. Deve ser fantástico repousar meu corpo ridículo, com os ossos despontando na pélvis, ao seu lado. A imortalidade e a morte são uma maldição aos que ficam.
Me lembro que antes de você partir eu estava deitada ao seu lado, percebendo o quanto definhara, te amando mesmo assim, chorando e foi quando você sussurrou as belas palavras em meu ouvido e colocou este anel em meu dedo que ainda uso. Você nem precisava ter dito, eu fui, sou e sempre serei sua, seu outubro, sua chuva e você meu entardecer, meu tudo.
Agora sangro, vazia, ébria, tolo, vazio, vazia, imperfeito, mas para sempre sua.
É Outubro, chove, eu poderia perder o controle, mas ao invés eu sangro e danço, lembrando que um dia me fizera perfeita, mesmo em minha dor.
Para sempre sua, post-mortem, G.






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