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Então eu sorri e afundei.

  • Foto do escritor: Lucas Antero
    Lucas Antero
  • 17 de jan. de 2023
  • 2 min de leitura



Ele se aproximou de mim e de súbito agarrou meu pulso e disse:

“Você realmente não sabe

O que acontece com pessoas como você né!?”

Foi o que ele me perguntou. E continuou

Pessoas que apenas balançam suas cabeças

Permanecem quietas,

Necessitam de algo ou alguém pra dizer o que fazer.

Sim, essas pessoas terminam, na maioria das vezes sozinhas

Cavando na própria quietude e tédio

Alguma razão para permanecerem vivas,

Algo para se sentirem vivas, pois não estão.

Pessoas como você que tem medo de tentar, de arriscar

Por medo de decepcionar as poucas outras que te amam.


Ele acendeu aquele maldito cigarro e continuou:

Você é assim! Escondendo-se em seus falsos desejos, suas próprias mentiras

Que apenas servem para você mesmo.

Sua gentileza que tenta agradar a todos

Com medo de decepcionar e não ser mais amado

Mesmo que apenas um pouco,

Na quantidade que acha que merece.

Você tem medo! Veja só

Dá para ver em seu rosto que está decepcionado com o que estou te falando

Mas vai me perdoar no instante em que eu mudar de assunto.

Sua alma tola tem tanto amor para dar e receber,

E esse amor que ela tem é diferente de todos,

Mas você tem medo.

Você permanece aí em seu mundo destruído e reconstruído

De uma maneira tola e fraca ao redor de sua zona de conforto

Porque você tem medo de dizer adeus, medo de mudar.

O mundo é indiferente a nós e continuará te socando.

E você apenas aguenta as pancadas e se levanta

Mas para um boxeador ganhar

Ele não pode só apanhar, mas é isso que tu faz, sempre!

Você terminará ainda mais vazio do que está agora

Porque tens medo,

As vezes o universo conspira a teu favor, e você acha que não merece

Então você não faz nada e ainda tenta punir a si mesma.

Mas você não vai mudar não é mesmo? Você já perdeu tanta coisa, não é?

O que é preciso acontecer?

Na verdade, seu destino já está traçado,

E você não se importam com isso”

Ele deu mais uma tragada no cigarro e soltou meus pulsos.



Tudo em mim é um loop,

Quando foi que isso começou?

É isso que eu ganho por ter medo?

É isso que eu ganho por continuar fingindo e sorrir?


Tudo é verdade!

Estou em uma lenta e vazia dança em minha vida,

Tentando mais desaparecer enquanto rodopio, do que viver.

Do que adianta tudo isso se minhas paredes descascadas tem medo

De um outro alguém tocar nelas.

Me preencha com inutilidade!

Permaneço inerte porque tenho medo do tempo

Odiar-se e sentir pena de si mesmo invalida o processo.


Meus pulsos doíam.

Eu olhei ao redor

Entendi que precisava realmente me descobrir

Explorar-me com uma faca,

Entender do que sou feito

Realmente sangrar sem medo de sangrar

Desaparecer, reaparecer, sangrar, sangrar, sangrar

...Tão fácil, o amor é tão real e natural, mas não pra mim.

Sinto o céu pesar sobre mim, as nuvens tentarem me esmagar

Essa noite ele abriu meus olhos...

Eu sabia que realmente precisava sangrar, sangrar,

E sabia que ele não me amava,

Estava apenas tentando tirar um fardo de seus ombros

Então eu estendi meu pulso roxo e dorido com a marca de seus dedos

E disse:

“Vamos, me leve a um lugar legal, eu preciso sangrar e morrer hoje!”

Então eu sorri e afundei na densidade da atmosfera

Enquanto ele segurava meus pulos novamente

 
 
 

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