Delírios Para Fantasma Imaginário
- Lucas Antero

- 17 de jun. de 2020
- 2 min de leitura
Atualizado: 16 de mar. de 2021
Eu já venci a batalha contra meu EU e odiei perder para mim mesmo. Uma vez escrevi um poema para minha alma, grafando todos os meus versos e descobri um soneto vazio, cheio de anagramas ridículos e palavras sobre falsas esperanças.

Pensei que poderia conquistar o mundo com minhas palavras insinuantes, metáforas e versos que trazem uma falsa esperança, acreditei nisso. Uma vez sonhara que havia conseguido tudo que queria, eu queria gritar, exceder a existência, desistir daquela dádiva e por si só a realização se tornou um berço vazio para tudo que nunca existiu e eu queria deixar de ser, desaparecer, não mereço isso.
Uma vez experimentei punir a mim mesmo, corromper todo o caminho, perder o controle em segredo, e aquilo se tornou real. Meu sangue tinha gosto metálico, consegui distinguir todos os lobos que estava correndo contra, e todos meus ecos mentais adoraram sentir aquela ardência e logo após o torpor ébrio da morfina.
Uma vez disse a alguém que a amava e recebi o silêncio, e percebi que a juventude dói e que o romance está morto e que dói entre as pernas de ambos, me viciei a ideia de atear fogo internamente em meu peito, permanecer sozinho, primeira palavra escrita em minha perna esquerda com aquela lâmina afiada, após obter minha licença poética: “Inamável”
Você sussurrou em meu ouvido quando me fazia sangrar pela terceira vez: “Eles ardem e coçam depois de um tempo”. E eu percebi que os segredos ocultos em meu corpo se tornavam cada vez mais feios, deformados a medida que deixava que as palavras dos alheios me transformassem, e me odiei por isso.
Décima palavra que escrevi em minha pele com aquela lâmina: “Doer”. Não estou te convidando para dançar meu querido, estou a descrever que meu corpo se sentiu amado quando comecei a arremessa-lo contra as paredes e móveis de meu quarto e acordar na manhã seguinte cheio de hematomas ocultos por peças de roupas, e eu prometi nunca contar a ninguém quando perdesse o controle e não me importar com as consequências e punições de meu criador.
Uma vez tentei explicar o que sentia e confundiram com versos de Bukowski.
Uma vez tentei amar, tentei.
Uma vez tentei amar como meu coração pedia e todos em casa se tornaram voláteis, não descobria mais como retornar para meu lar.
Por vezes tentei ser indulgente comigo mesmo, e meu corpo sussurrava quando eu deitava sem puni-lo: “Odeio dormir sozinho com você”.
Em uma madrugada qualquer de sábado, ás quatro da manhã, ébrio de vinho, com meu corpo imerso na água fria da banheira, após escrever a palavra Existência em minha coxa esquerda, em uma epifania, descobri a maldição de Deus aos humanos: “ A constante Incerteza do Universo”






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