Adeus, e obrigado pelos peixes!
- Lucas Antero

- 4 de abr. de 2022
- 2 min de leitura
Tudo que nunca contei a minha psicóloga...
O amor é natural e real, mas não pra mim, nunca foi!

Não existe um jeito simples de dizer adeus; na verdade dizer adeus depois que se passa muito tempo em um lugar, quase sempre é dorido. É porque se cria raízes, fixa-se ao solo, permanece, abraça-se aos outros e quando necessário retirar-se, sempre o faremos arrancando um pouco de terra conosco.
Nada serve para justificar nada, desculpa alguma serve para justificar qualquer ação.
Cansado de estar Cansada(sim, no feminino), porque ao que parece homens não se cansam. Cansado de ser imperfeito. Sonhei acordado por tanto tempo, acredite em mim essa noite, e nessa hipocrisia (ou hipocondria) que utilizo, não posso sonhar acordado mais.
Eu devo estar sonhando. O sangue escoando (Cansado de estar cansado) - talvez os verdadeiros erros deixem de justificar a atmosfera que me cerca. Eu devo estar em um pesadelo (se ao menos a insônia me deixasse) - sinto a terra cair sobre minha cabeça, agora sei que acabou.
A ideia de existir é tão fantástica! Consumir tudo que nós mesmo produzimos, fazendo parte de nós mesmo, de uma histeria coletiva, o novo sonho de ser uma pessoa, não pergunte como quero viver a partir de agora.
Tenho um imenso medo de onde minhas ideias podem me levar, e as "outras pessoas" não gostarem do que irão ver e então acabarem se afastando de mim ou julgando-me ainda mais estranho; seria por isso que continuo preso aqui dessa forma, nessa forma, com essas atitudes?
Eu poderia simplesmente desistir, mas quero provar que existo, porém não quero ferir ou interferir ninguém, por isso vou continuar aqui, com um poder cataclísmico mas guardado em meu peito, em meu próprio relicário.
Assim procuro a origem da origem da origem da origem. Tudo isso começou como continua: sozinho, inexistente, arrastando determinismos através do dia, com meus pequenos e ridículos triunfos, piadas, charmes e bondades, mas ainda sim dormindo vazio, sozinho e á espera do retorno amanha de tudo que foi hoje.
Eu sonhei que alguém realmente me amou, meu peito doeu e meus pulmões arderam.
Claro que não divago aqui sobre a vida em geral, e se sim, não tenho razão alguma sobre isso. Quando descrevo estas vivências, personifico tudo com caráter pessoal em prosa; esse é meu jeito de tentar existir.
Entre alheios, sonhos, grandes sonhos e infindáveis dores, momentos após eu sorrir por frações de segundos e sentir a leveza e frieza do vazio que me aguarda, quando caminhar por aquele corredor estreito, irei me sentar na mureta, deixar o vento soprar minha derme; por mais desesperador perante a incerteza como consequência do partir, indiferente ao acontecimento em si, meu pulmão sussurrará ao meu peito: Acabou. Você está desaparecendo completamente!
Eu não estou aqui, nunca estive realmente, não sei o porque...desculpe, adeus e obrigado pelos peixes!






Comentários