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ABISMOS.

  • Foto do escritor: Lucas Antero
    Lucas Antero
  • 11 de ago. de 2020
  • 2 min de leitura

Na noite fria deste dia escuto o sibilar do vento ao passar pela fresta de minha janela, mas este som não é familiar, ele é completamente diferente de todos os outros, e meus antigos fantasmas parecem ter se escondido, talvez até tenham desaparecido; e meu corpo trêmulo tenta adivinhar a punição antes do ataque de pânico que me ocorre, mas enxergo no breu apenas o vazio.


Sinto que desde aquele dia nunca lhe disse o que quero fazer com meu corpo que há muito tempo não sente um abraço forte, que fizesse meus ossos rangerem (mas acho que repito isto em toda carta que escrevo). Sinto que vou me desfazendo a medida que absorvo vivências, sinto que meus antigos fantasmas estão sumindo, lentamente sendo banidos de meu corpo, e permanecendo apenas aqueles imutáveis, que meu espírito resolveu - sem meu consentimento - cultivar.




Queria que estivesse aqui, porque se ao menos eu não conseguisse lhe contar o que esta acontecendo,ou você não conseguisse me consolar com suas palavras e aquela velha frase "vai ficar tudo bem" ou "isso passa" eu apenas poderia me aninhar entre seus braços sem dizer uma palavra.


Porém não estás aqui, muito menos eu. apenas permanece meu corpo e alguns resquícios de minha essência. Mas pra onde fora você? Como EU vim parar aqui onde estou? Como posso me considerar uma pessoa fantástica se ainda adormeço sozinha a noite?


Nesta noite vazia, olhei novamente para o abismo e ele me encarou de volta, mostrando-me meus erros,fazendo-me desejar punir meu corpo, e com medo tive de voltar para casa, mas você não esta aqui, não mais, e a lembrança do seu abraço já se esvaiu em todos os cômodos desta casa, assim como a minha, fazendo de minha existência apenas um silêncio eufórico.

 
 
 

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