Juventude Difusa De Meu Corpo
- Lucas Antero

- 16 de jul. de 2019
- 2 min de leitura
Tenho saudades de mim mesma. Saudade de quando os dias pareciam gigantes e eu não me importava com o passar do tempo. Você me perguntou qual a minha estação preferida do ano e eu lhe disse que era o inverno, você me perguntou se poderia me abraçar, eu permiti porque não consigo dizer não, mas meu corpo por mais que precise desses toques não está acostumado.

Eu gostaria de voltar a acreditar em quase tudo que acreditava antes,muito antes dessas tormentas devastarem alguns jardins em mim – tive de reconstruí-los a reflexo do que alheios esperavam e do que eu observava ao meu redor. Sozinha em meu quarto em uma manhã de domingo de inverno, deixo que o fraco e quase frio sol banhe minha pele. Você sabe muito bem que não gosto quando o sol toca minha pele, mas você também sabe da sensação que somente o sol de inverno provoca em minha pele - Nostalgia -. Você quis saber se eu não gostava da primavera, eu lhe disse que das flores e como elas podem esconder meu corpo, a imperfeição. Você também quis saber porque eu adoro o cheiro dos meus livros e do café ou meu chá e eu apenas gargalhei. Você quis saber porque consigo me entregar completamente a quem amo e confio para fazê-lo feliz, e quando tento ser frágil não consigo. Eu não lhe contei que consigo ser frágil apenas sozinha,consigo ser melancolicamente frágil enquanto deposito todas as palavras inquietas em meu caderno, que meu corpo compreende perfeitamente o quanto preciso chorar e de um abraço e não consigo ,por isso se torna frio quando estou sozinha.
Tenho saudade de ser eu mesma,tenho saudade de não querer ser perfeita apenas porque vi uma perfeição em uma foto do Instagram, tenho saudade de quando o mundo por mais dorido que é, me cabia no peito e não me deixava assustada, tenho saudade da inocência de meu corpo,tenho saudade dos jardins que antes existiam, das flores azuis e amarelas, das folhas incrivelmente verdes,saudade dos cordéis que pendurava ao sol do meu corpo,tenho saudade principalmente de quando Deus era um sentimento em meu peito e não uma teoria existencial. Tenho saudade do que não me lembro. Sinto vontade de chorar porque tenho saudade,mas não consigo porque não há sentido em um mundo atual.
Eis uma verdade: Estamos mortos porque não somos para os outros e sim mostramos para os outros. Sou uma narcisista porque quero ser somente minha,quero abraçar os outros,amar e deixar que me amem,amem meu corpo,porém ainda ser somente minha,mas sei que não me amarão,nem meu corpo porque não sou a ideia que constroem de mim, por isso permaneço aqui dentro de meu peito externando sentimentos que constroem barreiras: meu otimismo, perseverança. E assim permaneço em mim tentando na maioria das vezes inutilmente ser minha própria felicidade.
Você ainda bastante confuso, tenta saber, que mesmo com tudo isso dentro de mim eu ainda possa olhar para o mundo e sorrir. E querendo chorar eu olho para o céu bastante azul e sorrio pra você com minha xícara de café na mão e você me abraça tão forte que meus ossos rangem.






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