Existe Algum Refúgio ? (O Corpo 1)
- Lucas Antero

- 8 de jul. de 2019
- 2 min de leitura
Schopenhauer sempre estivera certo sobre nossa existência. Sobre as dores do mundo.
Se quiserem saber a verdade do que eu acho sobre nós humanos, eis uma parte:
Somos todos egoístas,vivemos por um ideal subconsciente de ser uma pessoa,o ideal de uma co-existência, de um sentido mutuo,algo transcendente,anormal,mágico,divino,perfeito. “Somos seres conscientes de nossa existência, por isso deve haver um sentido” - pensam a maioria de nós. O homem faz planos e o universo ri. “O homem faz planos e Deus ri.” Não somos nada, “Toda criatura viva na terra morre sozinha” Um círculo flutuante, viciante, estamos vivos a espera de morrermos para que possamos viver.

Eu nunca estive aqui realmente, apenas flutuo entre episódios fantásticos de densa alegria, e tristeza, e com uma intensidade destrutiva ,sorrio sem me preocupar do que me lembrar no dia seguinte, porque não estarei mais aqui. Eu realmente nunca estou aqui na maioria das vezes,não notam quando estou aqui, desejava que eu fosse especial,mas flutuo apenas. Quero ser perfeito, atribuo cada falha ridícula ao meu próprio corpo, ele não reclama,sou jovem, posso puní-lo de diversas formas. Minha tela imperfeita,inacabada, necessita de varios retoques de uma lâmina, uma caneta, uma agulha com tinta, não pertenço aqui porque não sou perfeito.
Nunca sei o que esperar de meu corpo quando o coloco a mercê de meus mais inúteis,porém que definem minha existência,medos. Sempre sei o que esperar de meu corpo quando tenho de puní-lo: Total obediência aos meus comandos torturantes,ações cortantes e palavras perfurantes, e após tudo isso ele exala um aroma frio,doce e quieto,quase como a morfina em consequência da abulia que o retoma como seu.
Eu deveria voltar aos meus dezessete anos e trocar meus anos quietos por ser um idiota que em uma noite qualquer de sábado bebe vinho escondido dos pais enquanto queima uma bíblia, um jovem suicida.
Afetos necessários escapam lentamente diante de meus olhos,desaparecem, se tornam um mero ato do enfraquecer de quem precisa sorrir. Meu corpo necessita porém repugna o abraço, o contato físico humano me é caro, as mentias necessárias que invento ao meu corpo,sou completamente culpado, não me mereço. A manhã eterna e fria melancolia que se faz presente em dias que recordo as necessidades que fujo desconstroem meus pensamentos defensivos e nebulosos,abrem meu peito,mostram quem sou, e um segundo humano que me observa não compreende a mecânica frágil de meus sentimentos, estou viva, porém ridiculamente distante de algum afeto profundo real.
Meu corpo nunca reclama ao que o deixo exposto, apenas range, dá o melhor de si, e eu o puno por não ser perfeito,por não conseguir fazer com que eu construa relações profundas com afetos essenciais, e quieto assume toda a culpa,e pulsante, dorido,avisa que arderá na manhã seguinte ,porém está pronto ao trabalho servil, e minha dor interna o agradece, assim me esqueço da angustia de não ser e não ter um afeto essencial.
Não estou aqui, quase nunca estive. Meu corpo suplica aos alheios -Não riam de mim por ser assim, porque já estou rangente, quase sempre morto.- E uma alma feminina se aproxima porém mantém uma distância segura ao sorrir e dizer que sou fantásticos e minhas próprias destrezas, porém já estou quase morto,inexistente e não posso me aproximar mais ou irei me desintegrar.






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