top of page

Absência de Deus

  • Foto do escritor: Lucas Antero
    Lucas Antero
  • 6 de jul. de 2017
  • 2 min de leitura

Era entardecer de inverno, o silêncio envolvia toda a atmosfera,o vento frio fazia com que as únicas folhas remanescentes nos galhos nus dançassem enquanto se agarravam cada vez mais nas pontas para que não se desprendessem da unica coisa que nutria suas vidas; o sol fraco,quase inexistente coloria as árvores e o gramado ainda verde,um pouco molhado. Este mesmo sol banhava o corpo de Clarice,que deitada na grama,olhava para as nuvens que migravam ao embalo da brisa. Clarice tinha seus vinte e um anos de idade,desde de seus dezesseis anos,ele esperava pelo momento cataclísmico,o caos que destruiria tudo o que as ocorrências do destino a fizeram construir,um momento libertador. (Você é uma boa garota,não tem de mudar nada,continue assim!)-Diziam.Até certo ponto de sua vida,atribuíam a Deus tudo que acontecia em sua vida,até que um certo dizia esbravejou,após uma grande perda (Quem irei culpar se o Deus que veneram está morto dentro de mim?)

-A destrutividade como característica libertadora,o sangrar como prova da existência, a necessidade de atos nocivos,atos inumanos da realidade obscurecedora do fim que nos cerca: Estaremos todos mortos no final. A perturbadora realidade do vazio após onde estamos agora,o perigo eminente,do profundo e infinito breu que nos espera como uma mãe,de braços abertos,após o rito de despedida.Estamos sozinhos aqui,sempre estivemos,nós matamos o único consolo psicológico eficaz contra esse medo real,esse destino que nos assola;cada criatura viva na terra morrerá sozinha,e nos assassinos dentre assassinos sairemos impunes,porque acabamos de matar o ser que dizem que nos criou. Pereceremos, e os vermos comerão nossa carne,então Gaia nos engolirá,fazendo-nos de adubo para que seu solo seja inda mais fértil.

-Você é uma garota muito corajosa pronunciando isso em voz alta!-Disse um jovem a Clarice,deitando-se ao lado dela.

-Não tenho nada a perder,muito menos a ganhar,por quê então eu ficaria em silêncio em meio a tantas outras inverdades?-Disse Clarice

-Então acha que o que dizes é verdade?-Perguntou o homem?

-De forma alguma! Talvez seja ela apenas uma nova inverdade no meio de infinitas outras.

-Nossa!-disse o garoto,olhando para o céu,procurando o que tanto fazia fixar o olhar de Clarice.

-Mas fodam-se todos eles!

-Estou curioso em uma coisa,por que disse o que disse;você é alguma espécie de ateia, que ficou assim porque teve uma grande perda,ou porque estudou demais e resolveu desacreditar? Sei lá,me diga como chegou a essa concepção da realidade!

-A verdade é que Deus simplesmente esvaeceu-se de mim,parece não habitar aqui dentro,simplesmente desapareceu. Simplesmente desapareceu,como um andarilho que passa por uma cidade,Apenas desapareceu,retornou a lugar nenhum.

-Então acha que matamos Cristo?

-Leia um pedaço da bíblia e entenderá....

-O que nos resta por fim?

-Nada!

-Apenas o nada?

-Exato,o breu total,o vazio existencial,assim quando morrermos!...Mas sabe,ainda acredito nas pessoas!

-Mas o que tem "as pessoas" para acreditar nelas?

-O vazio,o nada!


 
 
 

Posts recentes

Ver tudo

Comentários


bottom of page