top of page

Abulia

  • Foto do escritor: Lucas Antero
    Lucas Antero
  • 5 de abr. de 2017
  • 2 min de leitura

É engraçado o quanto e o que a vida pede para cada um de nós para que permaneçamos aqui. Os meus cortes,infinitas e incompreensíveis verdades,dores,sangrares,choros,dores novamente...Necessidade em estado vegetativo,e ainda sim estamos morrendo.

Nossa necessidade incontrolável de sermos úteis,arranca-me,tira-me as vezes esta dádiva,quero permanecer quieta por longos períodos. Nunca lhe disse mas frequentemente sinto abulia e meu corpo tem o incessante desejo de fundir-se as coisas e ficar a observar o céu no final de tarde,apenas a perceber as coisas transitando ao meu redor,a brisa soprando todas as nuvens na direção contrária a que vieram,pássaros pousando na árvore do quintal de casa. O que mais poderia existir de essência da quietude senão isso?

Hoje fora desta forma anjo meu,sempre lhe pedia para que não me tocasse nas manhãs em que acordo melancólica,porque o eminente desejo de desaparecer torna minha pele tão fria que teus dedos arderiam. Estava bastante fria, os cortes em meu braço esquerdo coçavam,o vento frio que batia na janela fazia um barulho estranho,barulho parecido ao que aqueles fantasmas em dias chuvosos fazem quando sussurram-me segredos,então o silêncio mostrou-me um perfeito dia em que a abulia de todo o meu corpo o controle tomaria, e a atmosfera aquiesceu e o frio ponderou "Ninguém lhe amará hoje!"

O sol tentava reerguer-me em um ato desesperador enquanto as batidas lentas de meu peito desejavam que aqueles raios me deixassem em paz,as vozes além minha janela anunciavam o acordar do mundo lá fora,meus olhos ardiam,o calendário azul na parede anunciava "1460 dias se passaram" .Levantar-me fora uma tarefa árdua,minhas pernas tremiam,e seminua caminhei até o jardim de nossa casa, o jardim que ainda poderia ser nosso se estivesse aqui,flores que seriam colocadas em um vaso sobre a mesa de jantar banhadas com o orvalho. Deitei-me na grama molhada,olhei para o céu lembrando-me imediatamente que havia prometido ser forte,promessa que fazia sempre ao ver ser sorriso e agora,como posso ser?

A tarde caíra tão depressa,o frio fazia-me tremer enquanto olhava para as nuvens coloridas pelo fraco sol,meu corpo coberto por folhas secas,meu cobertor,estado vegetativo da necessidade de existir- ABULIA- Neste estado,ao me abraçar faria com que meu corpo ardesse e lágrimas escorreriam,mas quando olhei para o lado percebendo que algo tocara minha mão o vento sussurrou: "Durma agora anjo meu que as borboletas pousarão em teu corpo seminu, porque você sempre estará sozinha!"


 
 
 

Posts recentes

Ver tudo

Comentários


bottom of page