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Demérito

  • Foto do escritor: Lucas Antero
    Lucas Antero
  • 3 de abr. de 2017
  • 2 min de leitura

Gostaria que estivesse aqui onde estou,que deslizasse lentamente pelo chão e pegasse-me no colo antes que eu caísse,porque estou morrendo. Que repousasse minha cabeça em suas pernas,acariciasse minha cabeça até que eu adormeça sentindo a leveza de meu ser,porque estou realmente a morrer,estou caindo,lentamente desabando,desmoronando como uma montanha que formou-se por si mesma e não pode mais crescer. Gostaria que pronunciasse aquelas mesmas palavras que nós,anjos tristes,gostaríamos de ouvir "Vai ficar tudo bem" .A verdade é que,há princípio onde estou agora,a atmosfera tem total controle sobre mim.

Já ouvira sons estranhos em sua cabeça,já sentira-se sujo, tentando ser o mais limpo possível mas não conseguira?

Não sei se compreende a densidade de minhas palavras,não sei nem ao menos se compreende minhas palavras ou o quanto preciso de você aqui e agora anjo meu. Talvez não saiba,mas minha palavras secretas estão escritas em minha pele,as mais densas,outras sujas,muitas insultos a meu próprio corpo. Veja bem,sei que não compreendes este silêncio em meu corpo,esta perfídia alegritude,esta oscilação em mim,a incessante necessidade de provar que estou viva através de atos enérgicos,destrutivos a mim mesma,porque na verdade,estou realmente perdida e Deus esvaeceu-se de mim.

Demérito de meu corpo não poder ter seu toque mais,demérito de meu espírito não ser livre do controle da densa,doce e destrutiva atmosfera,porque perdoei a mim mesma o bastante,e a auto-indulgência se desgasta rapidamente quando os erros se tornam um fato a um espírito que sempre tenta algo novo

Sei que me amou em todos os teus dias enquanto minha destrutividade auto-indulgente modelava-me e trancafiava-me dentro de mim mesma, e de onde estou agora,olho pela janela,gostaria de ver aquelas flores de inverno,ser tão limpa quanto elas,minha pele tão fria como elas,tão perfeita,doce,cheirosa,ser um lindo e perfeito presente de alguém,um lindo e perfeito presente seu,apenas seu,para demonstrar o quanto perfeita seria por ter me moldado assim,mas não estás aqui,por isso sou imperfeita...

Demérito,porque fiz minhas próprias escolhas e por isso estou esvaecida e não ida

Demérito de não pertencer a ti,

Demérito,por isso sou imperfeita,

Demérito,por isso não estás aqui

Demérito,demérito,demérito....

Unica palavra que minha serragem ecoa enquanto caio lentamente com a certeza de que não estás para me segurar

demérito,por isso estou morrendo lentamente,e quando estatelar-me no chão,minha pele se rasgará e meus ossos quebrados gritarão:

"Liberdade,liberdade" Porque estarei morta, e o peso do espírito não irá ocupar mais o corpo.


 
 
 

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