Aquela chuva
- Lucas Antero

- 18 de jan. de 2017
- 2 min de leitura
Chuva fraca e dias nublados para aqueles que não conseguem dormir assim como eu. Ventos frios para corpos que desejam permanecer quietos,nenhuma relação de verdade para encontros destrutivos.

Você me amou naquele último dia,
Eu te amei naquele último dia,porque tinha esperança de que poderia retornar.
Onde foi que deixei meus antigos poemas? Talvez tenham-se transformados em sussurros nostálgicos.
Finais de tardes calmos para espíritos quietos,assim como o meu,que desejam que o sol adormeça quieto. O que poderiam me prometer enquanto o sol cai lentamente se sempre queremos ter um pouco mais do que nunca nos pertence? Por que sempre temos essa sensação de incompletude?
Ouvi você sussurrar que sou meio estranha.
Não chorei naquele dia, no primeiro corte.
Corredor de vento se formando na janela de meu quarto,quietude enquanto a hélice do ventilador gira e esfria minha perna.
Poderia facilmente adormecer em alguma floresta, ou sangrar no chão do banheiro de casa,dormir por doze horas, e desejar que o dia permanecesse nublado.
Hoje choveu,procurei sorrir. Não sei se já lhe contei que sou uma garota sexualmente atraída pela chuva,que prefiro dias nublados. O sol serve apenas para querer queimar minha pele. Tenho porfiria cutânea, é a doença de pessoas que não podem ficar expostas a luz solar,existem variações dessa doença,fazendo assim,nos casos mais graves com que a pessoa não possa ficar exposta a nenhum tipo de luz. Minha pele apenas não pode com o sol,mas em dias destrutivos, gosto de deixar que ele me machuque.
Me lembro quando estava na faculdade, andava pelo campus, as árvores faziam barulho,deitada na grama sob a sombra,naquele dia não sabia onde estaria hoje. Me sentia um pouco triste, o curso daquele dia havia acabado,não queria voltar para casa,queria permanecer ali por mais algum tempo. A medida que olhava para o céu sentia um pouco de inveja das nuvens,foi quando ele chegou.
-Olá garota pessimista,filha de Schopenhauer.
-Fala Nietzsche.
-Deveríamos sorrir mais- disse deitando-se ao meu lado.
-Pra que sorrir forçadamente, o que deverá para ser será. “Amor Fati” Você deveria saber disso.
-Deveríamos sorrir mais.
-Mas já estamos todos mortos, terminologia básica.
-E os mortos sorriem?
-Não, os mortos descansam,isso se realmente formos de encontro ao breu que sempre desejei.
-Queres alguma coisa Gabriele?
-Ir para um lugar legal,apenas isso,ir para um lugar legal que me faça esquecer toda a verdade que sei
Nuvens escuras cobriram o sol,e eu queria caminha,desaparecer,ir a um lugar legal antes de poder morrer.






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