Ossos quebrados
- Lucas Antero

- 14 de jan. de 2017
- 2 min de leitura
O motivo sempre fora você anjo meu,aquilo que me motivara a escrever. O medo que corrompe um coração,uma alma, a desistência de toda a realidade, o esvaecimento de toda a esperança de uma alma que dói, e talvez você ainda me ame,mesmo que não lhe enxergue,e todas as verdades desaparecem, e tudo neste caderno seja apenas uma forma de compor o vazio. Por mais que ame a realidade, deixara-me um presente: o constante desejo de dizer adeus para o mundo. Destroços significativos relativos e uma enorme razão do nada. Do que servem as palavras que escrevo se olhos atentos não as leem ou lábios afiados não as pronunciam?

Devemos ser o efeito da realidade inversa, se é que tenho licença poética para criar tal expressão. Engoli um pequeno pedaço de ralidade e explodi como uma gorda,regorgitei uma parcela da dor do que sempre vivi, e a fé que se dissipou assim como Deus, tenta ainda quebrar a janela de minha casa para que possa adentrar, ainda tenho esperanças que consiga.
Pode me chamar de tola garota por ter amado aquela minha escolha no passado que me trouxe aqui, e sobre essa mesa de escrever adiciono predicados e desencontros para demonstrar que estava errada como sempre estive, e que agora não existem mãos verdadeiras para que toquem minha pele,para que a façam arder como dois anos atrás,recolho-me a mim mesma e permaneço quieta,como um sistema que encontra uma falha,isola-se o problema.
Não estão mais aqui,sinto-me “um verme rastejante em um mundo de mentiras”- uma definição depressiva demais, deva estar achando,se não suportas essas poucas palavras que lancei até agora,talvez não esteja apto a ler o restante destas cartas.
Mas até agora,chama-me de ridícula garota,veja-me,porque ainda não cheguei até meu final,arremessar-me contra a parede de meu quarto,chocar meu ombro contra as marquises e pilastras espalhadas, e pela primeira vez em meses,assista-me ir ao chão com alguns ossos quebrados,sangrando sem ainda não ter cortado minha pele, e percebendo que o amanha é apenas mais um desespero,veja-me ainda cair em minha própria armadilha. Entenda que esses ossos quebrados são a prova do doce gosto da realidade que se altera em meu corpo, em meu eufórico peito que as vezes explode,perceba que não estou chorando,porque você anjo meu, deu-me um presente, e agora deixe-me agarrá-lo e usá-lo com toda a força,porque hoje meu peito dói,alguns ossos estão quebrados, e amanhã é um novo retorno, é apenas um princípio do que se tem para descobrir,
Me abrace e então talvez eu chore
Diga que tudo ficará bem,que despir-ei-me
Jogue-me no chão e me veja repetir.






Comentários