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Clarice. (Parte 2)

  • Foto do escritor: Lucas Antero
    Lucas Antero
  • 9 de jun. de 2016
  • 2 min de leitura

Quase tudo é suportável.Clarice sabia disso devido ao eterno retorno de seus sentimentos mais profundos,densos,frios,obscuros,que sempre a atingiam no tempo certo para derrubá-la e fazer com que seus ossos doam.As pedras que ela juntara no caminho,acabou derrubando-as em alguma estrada a frente e formou-se uma parede a sua frente.

Ela olhava pelo vidro da janela de seu quarto as gotículas de chuva escorregarem lentamente por aquela superfície lisa. Havia dias que ela não se sentia melancólica como naquele presente momento.Seu corpo coçava,entretanto estava totalmente enfaixado,aquele vento frio agregado as gotas de chuva faziam seu corpo sentir-se confortavelmente frio,culpado. Mover-se dali era impossível,era como se houvesse fundido-se aquele lugar,frente a janela,mas desta vez ela esperava alguém.Um milhão de pensamentos estranhos como de costume,atormentavam-na a cada presente segundo,como se a morte fosse apenas um ridículo presente triste de Deus que diria da seguinte forma em todos os seus aniversários: "Eu te amo,mas no final irei lhe destruir".

Clarice escutou passos vindos próximos a sua janela,não se atreveu a olhar,contentou-se a esperar que esses passos ficassem cada vez mais próximos,mais fortes,então uma silhueta destacou-se frente a janela,Clarice sorriu,como se houvesse dito: "Seja bem-vindo estranho". Ele pulou a janela,estava dentro do quarto agora,ambos ficaram entreolhando-se por dois minutos,não diziam nada,não poderiam dizer,era uma euforia interna,crescente,alguma coisa estava para acontecer e ambos sabiam disso.

Primeiro,timidamente ele tentou tocar nos braços dela,mas Clarice recuou porque eles ainda ardiam.Então ela sentou-se no chão,ele fez o mesmo.E se entreolhavam,apenas isso,sem medo de que o silêncio pudesse matá-los,que a quietude os fizesse entrar em coma,sem medo algum.Ele tentou vagarosamente tocar os braços dela outra vez que desta não recuara,mas apenas fechara os olhos parecendo querer chorar-era a chuva que sempre contava segredos-Ele também tocou seus ombros.Clarice começou a desenfaixar-se,o garoto começou a ajudá-la,o frio chegara mais profundo em sua pele,ela queria chorar,mas pretendia chegar até o fim com aquilo.

Quando finalmente estava sem a faixa,o garoto ficou receoso,mas ela segurou uma das mãos dele e a levou para um de seus cortes mais profundos,que agora ardiam friamente,o garoto sorriu,ainda assustado,e começara a compreender tudo o que se passava com Clarice.

Ela havia perdido o brilho estelar presente em seus olhos,e por isso precisou perder a si mesma para que pudesse se reencontrar em algum outro calmo lugar.Então lembrou-se mais uma vez da frase de Deus:

"Eu te amo,mas no fim,irei lhe destruir."

E a quietude,o tímido sorriso,tornaram-se os tesouros mais preciosos de Clarice.

 
 
 

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