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Clarice. (Parte 1)

  • Foto do escritor: Lucas Antero
    Lucas Antero
  • 7 de jun. de 2016
  • 3 min de leitura

Era tarde de seis de julho,havia sol,a brisa soprava forte,silenciosa,o mensageiro do vento,dando assim um som a ela. A varanda estava vazia e o sol banhava as pedras resinadas na parede daquela casa. Entre algumas folhas e outras das diversas plantas espalhadas pelos poucos metros ali existentes,estavam guardados vários segredos. E como não falar de segredos existentes devido a um elevado número de pessoas? Mas por hora,contento-me a dizer somente sobre a tarde que se segue ao sentimento bagunçado.

Me alongo a dizer que o sentimento só é possível devido ao saber que após o entardecer viria a noite,que por ventura contaria alguns demasiados segredos sobre a realidade humana,sobre a inconstância humana frente ao desajeitado,eminente desejo de sempre querer mais,para que possamos deixar nossas marcas no mundo,para que possamos ser lembrados e ainda existirmos logo após partimos. Talvez seja esse uma,dentre as diversas razões,que motive o poeta a escrever.

Nessa tarde,Clarice estava a observar da janela de sua casa,como o sol se movia e coloria diferentes partes do quintal. Em seu peito-impossível descrever todos os sentimentos passantes ali,designaremos seu coração como: uma bomba.- Ela mesmo não sabia o que esperar da realidade que estava a observar,apenas ficava ali,sabendo que esperava algo. Não era alguém voltar,porque os que voltam os mesmos,não deixam saudades. Poderia julgar,essa sensação pulsante em seu corpo,como algo repentinamente passageiro. Ela buscou sorrir,entretanto o que sua alma processava,era constantemente mudado pelos sons externos, e ela sabia,que poderia ficar ali a tarde toda a tentar entender o que se passava que não conseguiria, então nesses primeiros minutos ela se limitou a observar, a ouvir. E tudo a sua volta soou uma quietude melancólica.

Era noite,ela não estava mais a observar, os pensamentos apenas vinham aos montes enquanto começava a chorar e ela tentou se perdoar mas estava muito fraca para que pudesse fazê-lo. Apenas sentia-se melancólica e odiando a si mesma. Ah,como sua tristeza é tão linda,como forte pretendia ser para que salvasse um pequeno traço daquele antigo coração puro,como batalhou por isso. Mas agora que percebeu o quanto perdeu,está deitada em sua cama,pensando em partir no dia seguinte e não mais voltar,antes que aconteça tudo aquilo outra vez.

Era tarde demais. No dia seguinte fora encontrada seminua,tremendo sob a água fria do chuveiro que limpava o sangue de seus cortes, e uma frase cravada com a lâmina em sua barriga: "Não coma"; e uma segunda em sua virilha: "Perdoem-me". E na palma de uma de suas mãos: "incompetente". E a ultima próximo aos pulsos "durma". Clarice ainda respirava,só não queria se mexer,estava pesarosa,não queria ser acordada naquela manhã melancólica. Os paramédicos a carregaram seminua,e todos os vizinhos viram seu corpo sangrar enquanto a colocavam na ambulância.

Era possível que aquele fato fosse o fim de tudo,era possível que a entupissem de remédios,ou que ela logo melhorasse,tudo era possível,inclusive o aumento do suplício de toda a existência devido a esperança destrutiva,e que seu coração se desfizesse em pedaços,mas mesmo assim ela sorrisse falsamente, "porque é o certo a se fazer". Todos os cenários possíveis podem acontecer,embora,por hora,seja difícil convencer a atmosfera de que algum desses cenários poderiam machucar a pobre Clarice ainda mais. Não culpo a pobre Clarice por cortar a si mesma,talvez ela estivesse tentando deixar uma marca no monumento da vida. E tudo então começou a partir dai.


 
 
 

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