O estupro coletivo das palavras mortas (Poema)
- Lucas Antero

- 3 de abr. de 2016
- 1 min de leitura
Estamos todos vivos,estamos mortos
A morfina em metamorfose
Que trouxe a esperança destrutiva
Fez-nos corroer toda a ligeira discrepância
De nosso humilde sinal de sabedoria.
Mas a paz é isso?
Um sinal de não questionar
A própria existência?
E o amor?
E o ardor?
Nossas agonias engrandecem
O ser de esperança destrutiva
E quem somos se não apenas humanos
Que buscam existir sorrindo?
E o desejo de ser torna,
A mesma lâmina que embeleza o homem,
Objeto cortante de nossa pele que sangra,
E vemos a ardência entorpecer a nós mesmos.
É a morfina em sua forma primária.
Soerguendo de algo volátil
Queremos voltar,
É o nosso desejo sádico
A nos atormentar.
A vida em classe viva deixa de ser vida
Quando se deixa ser presa
Pelo temido castigo que não existe.
Caminhando,gotejando passos,vejo,
As palavras parecem estar mortas
Nessa rua tão cheia de versos
Porém ainda vazios de sentidos,
O que aconteceu para estarem assim?
As pessoas estão vazias,frias
E as palavras morreram.
As que ainda detinham-as
Usaram como um mero objetivo vazio
Doce de um beijo ao nada
Estupraram-nas com erros ridículos
De quem não se importa em existir
Mas o que é existir para nós?
As palavras estão jogadas
Como uma garota seminua
Em um beco frio
Como se nada mais importasse
Como se nada desejassem.
E aos poucos as pessoas morrem,desvivem
E se tornam como essas palavras mortas
E quem fica torna seu espírito
A empatia para as coisas efêmeras
Que nunca mais irão acontecer,
Pois já e tarde demais.







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