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Cibernética Depressão

  • Foto do escritor: Lucas Antero
    Lucas Antero
  • 19 de fev. de 2016
  • 2 min de leitura

-Você se sente sozinho neste exato momento?

-Não sei dizer ao certo...-Disse Jhohan mexendo nos cabelos.

-Tudo bem,esse escritório é seguro...

-Sei que não estou sozinho,mas queria estar,queria que não existisse mais ninguém no mundo,em alguns momentos...-Ele riu tragicamente.- É absurdo,mas, eu queria estar sozinho,quero estar sozinho o tempo todo,só não quero morrer sozinho!

-E por que não quer morrer sozinho?-perguntou Anaclarice.

-Porque é tudo um breu...Um enorme breu!-Jhohan estava começando a chorar

-Fique tranquilo,nada está para acontecer ainda!

-Esse é o problema!

-E o que você pretende fazer para consertá-lo?

-Meus problemas?

-Sim Jhohan!

-Nada. Vou deixar que se tornem grandes o bastante para me engolirem!

-Porque?-Perguntou assustada.

-Porque nada está para acontecer!

-Então está me dizendo que não vai enfrentar seus problemas?

-Estamos no meio de uma cibernética depressão,tudo que aconteceu comigo até agora foi somente culpa minha,você não acha que esta na hora de meu corpo,minha alma,deixar de lado a auto-indulgência e experimentar o própria dor que nunca se sentiu por quase sempre se perdoar!?

-Acho que não Jhohan,ainda acho que você deve enfrentar seus medos,seus problemas,tentar vencê-los...-Elas fez uma pausa para se deixar entender...-Mas saiba que os tropeços são normais!

-Ok Doutora,mas... Eu realmente não quero isso,talvez seja hora de deixar que a melancolia me corroa um pouco para que depois eu soerga novamente,afinal,estamos todos amando máquinas...

-Mas ainda restam alguns!-Interveio a Doutora.

-Os que restaram são os que caçoam de nós,os gozadores,os que odeiam o sentimentalismo,os que fazem chacota de tudo para provar que são felizes,e sabe,estou cansado deles também...-Jhohan para e se levantou,olhou para a janela e prosseguiu.- Sabe,talvez tenhamos inventado as máquinas para um mundo melhor,mas também para fugir desses gozadores,e veja só que absurdo,estamos em uma cibernética depressão!

-Talvez tenha razão!

-Não,eu nunca quis ter razão,apenas uma parcela do que precisava ter,pois depois de tudo que aconteceu,foi só isso que me restou...

-Quer terminar a sessão aqui?-Falou de súbito Anaclarice,olhando para seu relógio de pulso.

-Tudo bem!

-Como quer se despedir hoje?

-Inconstante como sempre Doutora: Adeus e Boa Sorte!

 
 
 

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