EXISTÊNCIA.
- Lucas Antero

- 4 de out. de 2015
- 2 min de leitura

As coisas estavam tão estranhamente distantes, o horizonte era tão vasto,minha alma parecia estar livre,porém,perdida naquela infinita dimensão em que o horizonte demonstrava as contrações de meus sonhos eternos. Eu não queria abrir meus olhos, e minha existência individualista naquela profunda,infinita,densa,calma, aconchegantemente eufórica e vazia dimensão, era apenas um pulso cognitivo,enquanto eu estava na verdade a afundar cada vez mais no lago quase congelado, eu queria morrer naquele instante, e que os oito minutos de pulsos cerebrais que restassem fossem tais visões.
Eu chegava ao fundo do rio lentamente, a medida que que meu corpo congelava cada vez mais,eu ia descobrindo pouco a pouco a imensidão existêncial. Lentamente eu estava fazendo parte daquele vazio, não existia nada mais; não existia sociedade e seus rótulos;não existia a democracia que era tão falsa quanto os sofistas;não existia o medo de não pertencer a nenhum grupo social, não existia a preocupação de ser melhor que o outro;não existia a justiça que nada mais é do que uma forma disfarçada de vingança;não existia o capitalismo,muito menos o comunismo;não existia religião,acho que existia Deus naquele momento,mas não religião;não existia verdade;não existia mentira;não existia armas;não existia sangue;não existia dinheiro;não existia a falsa idéia de trabalho e de racionalidade; eu não precisava me casar aos vinte e um anos de idade;eu não precisava sofrer por olhares que condenam atitudes fora da sistemática da sociedade, eu não precisava me preocupar em me arrumar toda para ficar com algum garoto,não existia a vergonha de me masturbar por eu ser uma garota;nãoexistia miséria; não existe crime;não existia ódio;não existia medo,não existia mulheres apanhando dos seus maridos,não existia feminismo;não existia qualquer traço dessa dança da sociedade.
Nessa minha lenta descida pelo lago,a morfina da melancolia esquizofrénica me anestesiara, e aqui estou eu,perto de meu fim,meus olhos estão fechados mas não está tudo escuro, e lentamente eu vejo, como a sociedade deveria ser,este é o fim da ciência,este é o fim da religião, estamos todos mortos!
Obs: Texto escrito com o pseudônimo de Gabriele.






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