COMO DESAPARECER ?
- Lucas Antero

- 13 de set. de 2015
- 3 min de leitura
A casa parecia estar completamente inabitada,eu estava deitada no chão,próximo a grama molhada, o céu estava completamente claro,porém o sol não estava muito quente,e seus raios tocavam somente metade de meu rosto.Meu deus,como aquele vestido era completamente aconchegante.Não,ninguém estava em casa, era apenas eu e aquele jardim,eu esperava que aquele dia nevasse,porém o sol estava radiante,minha melancolia parecia querer esvaecer lentamente a medida que o sol avançava meu rosto,e aquela brisa parecia estar acariciando minhas pernas.Não,eu não esperava por nada,eu não esperava ninguém chegar,eu não esperava que algo acontecesse,eu não esperava nada mais,eu apenas estava ali,não sei se existindo,não sei se vivendo,não sei se as duas coisas,seria uma boa hora para morrer,eu também não esperava morrer,e eu me perguntei naquele instante: o que eu,uma garota de dezesseis anos,virgem,atéia,que não havia namorado ninguém,havia me tornado até agora?
Eu estava deitada no chão,não me importei e rolei para a grama molhada,ela agora estava me espetando por todo o corpo,e sabe,aquela sensação não era pior com a comparada em perder alguém,aquela dor era efêmera, e desde de sempre aprendi a não amar o efêmero,e então como eu não amaria as pessoas? Eu quero apenas amar as pessoas,e tudo que é efêmero,como as flores como os sentimentos,existe alguém que poderia me abraçar agora? Somente a brisa, eu estou sozinha em casa,nada esta para acontecer,ninguém está para chegar,eu estou no sul da Geórgia.
Como desaparecer completamente.
Eu estou respirando profundamente
Mas existe algo em meus pulmões
Obstruindo completamente
Todas as vias de saída
Eu euforicamente descubro que existe algo no ar
Que tanto me sufoca
O que está acontecendo comigo?
Para onde foram todos os meus sorrisos?
Eu pareço ter me perdido
Enquanto tentava pescar as estrelas
Por favor brisa,agora você pode me abraçar
Eu não quero ouvir histórias
Eu não quero saber das horas
Eu apenas quero ter memórias
E não existir mais
Pairar completamente
Fundindo-me as coisas que tenho vontade
Eu não quero morrer,
Por favor,
Me acorde quando nada mais restar
E quando a brisa chegar
Porque meus olhos agora estão distantes
Não esperando nada mais do que a morfina
Que tanto faz tudo nada mais ser
Apenas anestesia tantas contrações de minha alma
Como desaparecer completamente?
Posso andar por onde a quietude
Exacerba o existir,
Que se torna nada mais do que ser silencioso
Quero aprender sobre as milhões de formas do silêncio
E caminhar por mim mesma
A espantar fantasmas barulhentos em minha mente
Eu consigo escutar sua voz inda em algum lugar
Então tudo acabou agora?
Eu consigo escutar meus próprios choros
E as gotas a pingarem no jornal
Eu consigo escutar o barulho daquela nal.
E por chorar estou definhando-me pelas rédeas do silêncio
Até nada mais restar
Como desaparecer completamente?
As pessoas não escutarão mais minha voz
Como num dia de chuva
Eu caminharei em mim mesma
Por favor,
Me acorde quando o próximo temporal chegar
E pensar que tínhamos apenas dezesseis anos
Em pensávamos em ser burgueses
Beberíamos e fumaríamos todas as noites
Mas agora é apenas um quieto dia de inverno
E tudo que eu fiz...
Qual é a cor do amor?
Qual é a cor da melancolia?
Qual é a cor da felicidade?
Qual é a cor da euforia?
Qual é a cor do silêncio?
E existe um vale distante onde a atmosfera
Arqueja sobre o existir
Que por fim,brevemente é
As notas de um observador
A criar um novo livro
Se estivéssemos lá
As ocasiões criadas pelos próprios humanos
Não seriam tão cortantes
Como desaparecer completamente?






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