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A Droga da Modernidade

  • Foto do escritor: Lucas Antero
    Lucas Antero
  • 1 de set. de 2015
  • 2 min de leitura

Eu descia as escadas de minha casa as avessas, era final de inverno, fazia um maldito calor, as escadas pareciam um labirinto cada vez mais estreito que me levava ao portão, era noite, a arvore quase colada no muro já perdia praticamente todas as suas folhas, então deveria ser outono não? “tempo louco esse” me disse alguém que passava e me pegou olhando para a arvore, lembrei-me de quando era mais novo, de quando sentava na calçada para jogar conversa fora, de quando chutava o poste para que a luz desligasse e pudéssemos brincar de esconde-esconde, menino bicho da ribanceira acima, quem precisava de papo cabeça quando tomávamos uma surra toda vez que fazíamos peripécias.

Os tempos são outros, não se preocupe menina que sangra em seu quarto, algo não está certo, nunca esteve certo, o que está errado demais não podemos consertar, ou foram estilhaçados em vários pedaços? Não se preocupe servidor público, pare de reclamar, é muita gente nova, que não quer tomar o seu lugar, o filho alheio tem dono sabia? Talvez seja um igual a mim, um maldito bastardo que tem uma nação a que amar. Não se preocupe pai de família, se sua filha voltar depois da meia noite, ou beijou outra garota, ou existem várias clinicas de aborto por ai. Não se preocupe senhorita, se chegar cansada do trabalho, seu marido não vai te trair porque está indisposta demais para ele. Não se preocupe linda moça da periferia, logo sábado a noite vai ter um baile funk, com “novinhos” e drogas a vontade, não se esqueça, se for menor de idade, leve camisinha, se engravidar, vá na clinica daquela menina que chegou tarde em casa. Não se preocupe garoto “chavoso” se te pegarem com droga, “diz que sou trabalhador senhor” “essa droga não é minha não” e se sua moto for pilotar sem habilitação, não se preocupa não, liga pro seu pai. Não se preocupem pseudos/socialistas, políticos, feministas, esquerdistas, a ideologia é um sonho, durmam e voltem a sonhar.

E eu aqui, doze anos depois de fazer meu aniversário de cinco anos, como quem tem dezessete anos pode se lembrar da infância que tanto passou? Olhando a arvore que desde que eu nasci estava ali, no seu inevitável ciclo interminável, estou tentando descobrir como realmente me tornar um civil de verdade, que o pôr do sol não se torne apenas um detalhe para se tirar fotos e postar, mas as pessoas negam certas coisas para si mesmas e continuam andando em círculos, fazer o que, "quem não conhece a própria história esta condenada a repeti-la". Acho que essa minha mania de querer as coisas de uma forma completamente equidistante de não sei o que, é uma afronta ao jeitinho brasileiro de que tudo cabe, ou que se faz o que se dá pra fazer, hum, fomos drogados e o efeito é permanente.


 
 
 

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